Meados dos anos 60. O mundo é varrido por um tornado de mudanças. Nas principais sociedades do planeta, o “establishment” é desabridamente contestado. No bojo dessa onda, o desejo de liberdade rompe as amarras do que se considera conservadorismo e cria laços humanos fortalecidos por novos ideais.
O fotógrafo norte-americano Dennis Stock acompanhou com suas objetivas o surgimento desse caldo de transformações. Nota-se em sua obra uma predileção por todos os desajustados sociais: imigrantes, “hippies” e tribos de motoqueiros. Também centrou seu foco no universo do “jazz” — eterno nicho de inspirada rebeldia e resistência ao preconceito. Nos bastidores do cinema, em 1955, capturou imagens antológicas de James Dean. Um espírito insurgente deflui de suas fotografias, e um inconformismo dissimulado parece reger, subterrâneo, sua postura diante do real.
Na foto acima, vemos uma imagem que poderia adequadamente simbolizar a idéia do “eterno retorno”. O homem, dando um salto de alguns milhares de anos, volta ao seu passado pré-histórico. Vemos a mãe e o filho, o homem e sua caverna, o cão e o rio; o irmão e sua fogueira, a floresta e o horizonte de liberdade. É o homem caçador e coletor, uma espécie de “bom selvagem”. E não existem armas? Certamente que sim. Mas a única que ele possui, jaz suspensa um pouco abaixo de seus quadris. Afinal, os tempos são outros.